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Falta constante de água afeta escolas e casas no Sul de Porto Alegre

(Foto: Luiza Dorneles/CMPA)
A Comissão de Defesa do Consumidor e Direitos Humanos (Cedecondh) da Câmara Municipal de Porto Alegre se reuniu, na tarde desta terça-feira (17/4), para debater o fornecimento de água na região extremo sul da cidade. Para falar do desabastecimento e investimentos no setor, os vereadores e vereadoras receberam representantes do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), Cores Dmae, Movimento Preserva Belém Novo e Associação Multicultural dos Amigos de Belém Novo (Amaben). 
“Um assunto urgente”, assim declarou Michele Rihan Rodriguez, voz do Movimento Preserva Belém. Para ela, por ser tratar do fornecimento de um serviço básico, a falta constante de água é um problema que afeta não só os moradores, mas também o funcionamento do comércio e as escolas da região. Ao procurar o Executivo a fim de obter respostas quanto à resolução do problema, Michele denunciou a falta de atenção da gestão municipal. 
O plano de saneamento básico também é outro fator preocupante apontado por ela, que questiona como será feito o aumento da capacidade de abastecimento no local. “Qual será a alternativa do Dmae para esse aumento na demanda do reabastecimento?” Conforme Michele, a situação perdura por muito tempo, mas vem se agravando desde o ano passado, pois as redes antigas de abastecimento do bairro apresentam diversos problemas quanto à limpeza tanto da água quanto do esgoto. “Os pontos mais altos da região sofrem com a falta de pressão das redes”, disse.
Falando pela Amaben, Renato Pereira Junior reforçou falhas na prestação de serviço e as dificuldades enfrentadas pelos moradores de Belém Novo, como a vegetação do local. “A gente vive com problemas nas redes. Muitas vezes estão obstruídas pelas raízes das árvores”, relatou. Ressaltando a fragilidade do sistema de água, Renato contou que os canos não suportam a pressão da rede, fazendo com que a água não chegue em determinadas regiões do bairro. 
“É um bairro idoso recebendo uma carga que está estourando”, lamentou.  Para o engenheiro ambiental Leonardo Capeleto de Andrade, há uma dificuldade no acesso público de análise de monitoramento das águas do Guaíba. Para ele, os resultados de poluição são alarmantes. "Não se vê trabalhos de investigação desse controle."
Quanto ao investimento no setor de abastecimento, o engenheiro civil Adnaldo Soares, atualmente aposentado pelo Dmae, explicou que um alerta sobre o atraso de recursos financeiros foi feito em agosto do ano passado. Segundo Adnaldo, a nova gestão teria negligenciado o aviso. Entretanto, ele afirmou que, embora tardiamente, alguns investimentos estão acontecendo nesta área para minimizar os problemas da falta de água. “Trabalhamos fazendo o meio campo entre o Dmae e a população.” 
Alexandre Dias, representante do Cores Dmae e também diretor do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), externou um conjunto de problemas em relação ao Dmae, como a possibilidade de privatização do setor. “O Dmae tem uma função social e enfrenta determinadas disputas, como o controle da água”, apontou. Para ele, a garantia da água é fundamental para a sobrevivência humana, e o departamento tem competência na prestação de serviços. “Os servidores do Dmae estão comprometidos com a cidade e estão aliados com a população.”
Já para Flávio da Cunha Machado, gerente de operações do Dmae, a falta de suporte de energia elétrica reflete diretamente no abastecimento de água. Ele explicou que o abastecimento a diesel foi o recurso utilizado em algumas oportunidades, mas pesa na questão do dano ambiental. Ele garantiu que o departamento realiza manobras para evitar a falta de água, mas que regiões como a Zona Sul sofrem com rupturas e faltas de pressão. “A solução é a construção da ETA (Estação de Tratamento de Água) para aumento de capacidade de bombeamento”. Neste momento, Flávio disse que está sendo elaborado o Plano Verão, que reúne todos os técnicos do Dmae para construir soluções até o próximo verão.  
Marco Antônio Faccin, diretor de desenvolvimento do Dmae, esclareceu que, devido ao grande crescimento geográfico da Zona Sul, ocorrem problemas no sistema de abastecimento da cidade. “Investimos R$ 100 milhões”, disse em relação ao investimento na região. Hoje, de acordo com ele, a busca por financiamento com o Ministério das Cidades está em andamento. A falta de comunicação com outros órgãos do Executivo também é outra questão abordada por ele. Uma pavimentação ou drenagem sem planejamento correto também são as causas das rupturas nas redes. De acordo com ele, há um projeto de construção de uma nova estação de tratamento de água para melhorar os problemas do bairro. A expectativa é de que a estação esteja pronta em torno de três anos. 
Cobrando mais providências do poder público, os moradores dos bairros Belém Novo e Lomba do Pinheiro também manifestaram o descontentamento e indignação com a falta de abastecimento de água em suas casas. 
Vereadores
“Até quanto Belém Novo vai sofrer?”, questionou João Bosco Vaz (PDT), também parabenizando funcionários do Dmae pelos serviços realizados mesmo com a falta de investimentos necessários. “Seria importante que o prefeito ouvisse as informações aqui relatadas.” 
O Professor Alex Fraga (PSOL), proponente da reunião, também relatou a falta de infraestrutura que a região de Belém Novo apresenta. Em sua opinião, a falta de água piorou, o que prejudicou a vida de muitos moradores. “É uma zona em desenvolvimento, que também tem uma oscilação de luz.” Ele defendeu a necessidade de investimentos no setor de abastecimento e também afirmou que o cuidado com a água deve ser feito por todos.
Foi sugerido pelo vereador Professor Alex Fraga (PSOL) que seja estabelecido um diálogo com outras secretárias do órgão Executivo para que a comunicação com o Dmae seja aprimorada e para evitar maiores problemas nas regiões que mais sofrem com a falta de água. E também que o Dmae facilite o acesso aos dados públicos sobre o tratamento das águas do Guaíba.
Também estiveram presentes o vereador Marcelo Sgarbossa (PT) e a vereadora Comandante Nádia (PMDB).
Texto: Munique Freitas (estagiária de jornalismo da Câmara)