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Pamela Joras, a primeira mulher a apitar uma partida no Beira-Rio

Reprodução / Facebook
A relação de Pamela Joras com o futebol vem desde os tempos em que, escondida dos pais, jogava bola no contraturno da escola. Natural de Restinga Seca, interior do Rio Grande do Sul, Pamela conta que a atividade não era vista com bons olhos, mas reconhecendo o amor dela pelo esporte, seus pais acabaram permitindo que treinasse, isso a partir dos nove anos de idade. O tempo passou e a escolha profissional de Pamela não poderia ser outra senão a Educação Física. Graduada e com especialização na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Pamela fez mestrado e hoje faz doutorado na Universidade Federal do RS – UFRGS. Ela integrou as equipes de futsal das duas universidades.

“Costumo dizer que não fui eu que escolhi o futebol, o futebol me escolheu”, diz. Além de jogar, de ter sido treinadora e ter o futebol como lazer, Pamela é pesquisadora, estuda o tema desde a graduação. E foi numa das atividades na UFRGS em 2014, um curso de arbitragem só para mulheres, que ela descobriu uma nova paixão e hoje integra o quadro do Sindicato dos Árbitros do RS – Safergs. Neste ano, seu objetivo é fazer o curso da Federação Gaúcha de Futebol – FGF, que começa no dia 21 de abril e ser árbitra principal. Atualmente, só há árbitras assistentes no quadro da FGF.

O nome de Pamela já está escrito na história da arbitragem gaúcha. Ela foi a primeira mulher a apitar um jogo no Estádio Beira-Rio na semifinal do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino. “Foi um grande momento não só pra mim mas para toda a modalidade, para a equipe de arbitragem, para as jogadoras que estavam recebendo a oportunidade de jogar pela primeira vez em um grande estádio, enfim, era um momento de estreias e responsabilidades”, analisa, satisfeita com o trabalho realizado, porque deu o melhor de si nos 90 minutos.

Quando não estava escalada para os jogos do Gauchão Feminino – ela atuou em 13 partidas – os finais de semana eram igualmente de futebol. Pamela trabalha com o ex-árbitro Luís Carlos Boaro, padrinho dela na arbitragem, e apita ou trabalha como assistente em jogos masculinos de categorias de base. “No vestiário, antes de entrar em campo, eu sempre falo para os colegas que sou uma árbitra em formação, aprendo muito com todos”. Durante a semana, trabalha no Centro de Memória do Esporte na UFRGS, onde faz o doutorado, além de dar aulas numa academia à noite.

Falando sobre preconceito, Pamela lembra que as mulheres ultrapassam várias barreiras impostas pela sociedade e diz que com a arbitragem não é diferente. “O futebol é um reduto ainda muito machista e nós enfrentamos muita resistência quando entramos nesse campo. Na arbitragem, a presença das mulheres é extremamente restrita, trabalhando efetivamente no Estadual Feminino desse ano tivemos três árbitras principais e quatro assistentes, é um número ainda muito pequeno”, lamenta. “Quando as pessoas se dão conta de que é uma mulher, ou um trio de mulheres que vai 'comandar'a partida, o preconceito aparece sim, não por parte das torcidas, mas nos diversos setores que compõem uma partida de futebol”.

Os planos de Pamela para o futuro estão traçados: o curso da FGF, a preparação para o Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino e outros que surgirem, além de projetos ligados à arbitragem. “Quero fazer tudo com calma e competência, me preparando cada fase que vem a seguir. Um passo, um jogo, um apito de cada vez”, planeja.

Sonhadora, quer que o seu exemplo e de outras mulheres que já atuam na arbitragem inspirem outras tantas. Acrescenta que “somos poucas e meu desejo é que existam cada vez mais mulheres no futebol, não só como árbitras, mas como jogadoras, treinadoras, gestoras e torcedoras. Que nós consigamos nos unir em uma grande força de desenvolvimento do futebol feminino no nosso país”. 

Izabel Rachelle

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