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Trabalhadores mobilizados da coleta de lixo esperam ter demandas cumpridas

Porto Alegre amanheceu na segunda-feira (10) com as lixeiras lotadas (Foto: Simone Correa)

Por Jessica Alves


Trabalhadores da Belém Ambiental Porto Alegre, empresa responsável pela coleta de lixo orgânico da cidade, fizeram uma paralisação das atividades, na noite de segunda-feira (10). O motivo foi o atraso no recebimento dos respectivos salários.

A mobilização ocorreu às portas da empresa em que trabalham, onde foi feito um movimento que fechou a rua e impediu a passagem dos caminhões de coleta, que se estendeu até a noite de terça-feira (11). A empresa contratante informou que realizou o pagamento dos cerca de 500 funcionários, porém a paralisação permaneceu, reivindicando não somente o atraso nos salários, mas de outros direitos trabalhistas, como pagamento de férias.

Para diminuir o impacto, a Prefeitura de Porto Alegre acionou o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) realizar a coleta de lixo das ruas enquanto a paralisação ocorria.

Por volta das 17h do dia 10, a 14ª Vara do Trabalho de Porto Alegre determinou que os manifestantes deixassem de obstruir a rua, sob pena de multa diária a quem não cumprisse o pedido, porém, já se passavam das 19h quando um oficial de justiça chegou ao local com a decisão judicial em mãos. Alguns trabalhadores permaneceram com sua posição, até que ocorreu uma intervenção da Brigada Militar, usando de bombas de efeito moral contra os manifestantes. A situação da coleta de lixo em Porto Alegre já foi normalizada.

A terceirizada B.A. Porto Alegre recebe repasses feitos pela Secretaria da Fazenda para realizar o pagamento de seus funcionários, que deveria ser, de acordo com a legislação trabalhista, feito até o quinto dia útil do mês. Porém, de acordo com a reivindicação dos trabalhadores, não é de agora que há problema com o pagamento de seus salários

A fonte do contratempo tem raízes no ano de 2016, quando a Prefeitura de Porto Alegre entrou em dívida com a empresa pelos serviços prestados. Um acordo foi feito, no qual o pagamento seria realizado em 2018, parcelado em 36 vezes e por meio de fatura quinzenal, porém o mesmo foi revogado para fatura única. A empresa buscou pela alternativa de continuar a receber o valor em duas parcelas mensais, mas não obteve sucesso.

Então no ano de 2017, nos meses de fevereiro e julho, houve mais paralisações dos trabalhadores pelos mesmos motivos, o atraso no recebimento de seus salários. Até que em março de 2018, a empresa Belém Ambiental alegou que não conseguiria cumprir com seus compromissos se o pagamento não fosse feito em duas parcelas mensais.

A reportagem entrou em contato com a empresa B.A. ambiental e com o Sindicato Trabalhista referente, mas ambos não responderam.