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Como a aliança entre EUA e Israel pode ter influenciado Trump a sair do acordo nuclear com Irã; entenda


Com justificativas parecidas, Estados Unidos e Israel acusam o Irã de uma possível quebra no tratado firmado em 2015, e concordam entre si na saída dos americanos do acordo nuclear com os iranianos


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Repórter Victória Ribeiro

Enquanto uns riem, outros choram. Assim foi o recebido a notícia da saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, pelo mundo. Aliados do acordo – Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China – desaprovam veementemente a decisão feita pelo presidente Donald Trump, nesta terça-feira (8). Porém Israel aliado dos americanos, em contrapartida dos outros, comemora tal feito como uma vitória pessoal, segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Essa suposta “vitória”, decorre de uma série de reclamações de ataques e atividades iranianas suspeitas, fazendo Israel ser contra o acordo nuclear, desde seu vigor em 2015. Coincidentemente, esse é o mesmo argumento utilizado por Trump pela sua saída, ao alegar que o governo iraniano não está cumprindo com sua parte do acordo, ao fabricar armamento nuclear secretamente.

Acordo esse que sanciona redução do estoque de urânio enriquecido, limitação do número de centrifugação para enriquecer o material e amplo monitoramento das instalações nucleares iranianas, em troca da retirada das sanções econômicas que bloqueavam o Irã das negociações bancárias e petrolíferas para o mercado externo internacional.

Aliança Israel e EUA

Em 1967, quando Israel ocupou Sinai, Faixa de Gaza, Cisjordânia, leste de Jerusalém e Colinas de Golã, recebeu apoio intensivo dos americanos em relação à entrega de grande quantidade de armamento, para guerra árabe-israelense.

Porém, somente no governo Trump, que esse apoio tomou forma e destaque. O presidente foi o primeiro dos Estados Unidos, em maio de 2017, visitar o Muro das Lamentações, local considerado sagrado para os israelenses, palestinos e cristãos, em Jerusalém. Um dia depois desse evento, Netanyahu anunciou que iria receber 75 milhões de dólares em ajuda militar dos EUA, ressaltando que o país norte-americano é o que mais lucra em armamento no mundo.

Em setembro desse mesmo ano, Israel inaugura com os EUA, uma base aérea conjunta, sendo a primeira em território israelense. Em dezembro, Donald Trump reconhece Jerusalém como única capital de Israel, desconsiderando a Palestina como capital, causando grande alvoroço, ao se meter e tomar uma posição referente a uma guerra antiga entre palestinos e israelenses.

Indo contra o governo Democrata

Antes mesmo de ser eleito, Donalt Trump não media em críticas referente ao acordo nuclear do Irã, sancionado e implementado pelo ex-presidente Barack Obama, em 2015. Para Trump, o acordo falha principalmente em abrir brechas para que o Irã, considerado por ele inimigo dos norte-americanos no Oriente Médio, possa trabalhar às escondidas com a capacidade maior do que o combinado, de urânio enriquecido para armamento nuclear, em vista do prazo quase vencido das sanções impostas contra o Irã, de 5 a 10 anos.

Apesar dos respectivos representantes dos países França, Alemanha e Reino Unido – Emmanuel Macron, Angela Merkel e Theresa May – afirmarem que as sanções são a melhor forma de neutralizar a ameaça de um Irã munido de armas nucleares, Trump acredita que o acordo deve ser revisto e “endurecido”, e apesar das críticas em seu discurso, se mostrou propenso em reanalisar o tratado.

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