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O descarte inapropriado de bitucas de cigarro e o impacto no meio ambiente

Diariamente são descartadas 12,3 bilhões de bitucas no mundo, em sua maioria em local impróprio, causando danos irreparáveis ao meio ambiente

Divulgação / Prefeitura de São Sebastião
Por Júlia Sanchez

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente existem 1,6 bilhões de fumantes no mundo. No Brasil, o número de adeptos ao tabagismo corresponde a 10,3% da população, sendo eles 8% da população feminina e cerca de 12% da masculina. De acordo com o site eCycle, dentre todos esses números, cerca de 12,3 bilhões de bitucas de cigarro são descartadas diariamente no mundo, em sua maioria jogadas nas ruas e calçadas das cidades, podendo desembocar em lugares diversos, como rios e até o oceano.

Todo esse micro-lixo, além de contribuir para o entupimento de bueiros podendo gerar  alagamento em ruas e até bairros inteiros, o que já é muito prejudicial tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública, afeta diretamente a poluição do solo, causando infertilidade e comprometimento dos lençóis freáticos, devido às mais de 4 mil substâncias tóxicas presentes no filtro do cigarro.

Para muitos consumidores da droga, o ato de jogar bitucas no chão parece inofensivo, corriqueiro, em vista principalmente da vida agitada das cidades grandes. Muitas vezes os fumantes têm o costume de jogá-las através da janela do carro ou descartá-las no chão antes de entrar no transporte público. O que eles não sabem, no entanto, é que o descarte desse elemento nas estradas, por exemplo, é o maior causador das grandes queimadas em florestas, ocasionando danos severos à nossa Fauna e Flora. Outro problema que engloba as grandes queimadas é o risco de acidentes envolvendo veículos devido a fumaça descontrolada.

O Governo, por sua vez, não têm conseguido dar conta do problema. Mesmo com leis que proíbem jogar lixo na rua, emendas que prevêem um maior número de bituqueiras espalhadas pelas cidades ou até mesmo a proibição da publicidade do cigarro, no caso visando a diminuição do número de usuários, a poluição por parte dessa pequena porém extremamente nociva matéria só aumenta.

O caso a ser pensado é: até que ponto a grande quantidade de lixo tóxico que toma conta dos locais públicos é de fato responsabilidade apenas dos Órgãos Públicos? Será não cabe a toda essa população fumante ou até mesmo a população em geral que não faz o descarte correto do lixo que consome tomar consciência dos danos, mesmo que não imediatos, causados pela simples falta de hábito em jogar o lixo no lixo?

Algumas alternativas:

Erika, de 38 anos,  Administradora de Empresas e Terapeuta Holística, fuma desde os seus 13 anos de idade basicamente porque na época o ato de fumar era considerado bonito. Há cerca de um ano é adepta ao uso do porta-bituca, que permite que as cinzas e bitucas de cigarro sejam armazenadas enquanto não há lixo por perto até que possam ser descartadas corretamente.  Erika conta que essa iniciativa se deu às amizades conscientes adquiridas nos últimos tempos, que a fizeram repensar sobre o lixo que produz, e além disso, a terapeuta diz que se tornou mais consciente com o Planeta e com a Mãe Terra, guardando assim os danos do tabagismo quase que só para si, enquanto ela não consegue se desvencilhar do vício.

Divulgação / Prefeitura do Rio de Janeiro

O porta-bituca é uma boa alternativa para quem anda muito de carro, mora em um local desprovido de lixeiras e bituqueiras de fácil acesso e para os fumantes em geral que não têm o costume de jogar sua bituca no lixo. O artefato pode ser feito e customizado a partir da criatividade de cada um, mas há versões de diversas patentes sendo comercializadas por aí, basta uma pesquisa rápida para encontrá-lo e começar a utilizar.

A empresa Poiato Recicla, desde 2014 passou a reciclar as bitucas de cigarro para a produção de matéria prima, tais como celulose e papel artesanal, sendo a primeira do Brasil a aderir à iniciativa. Em março de 2016 inaugurou a primeira Usina de Reciclagem de bitucas de cigarro do mundo, efetuando a coleta de 130 quilos do micro-lixo segundo informações levantadas pela empresa no mesmo ano. Em seu site é possível ter acesso ao conteúdo da ação e o processo de reciclagem que é utilizado. https://www.poiatorecicla.com.br/

Outro caso interessante de reciclagem é o da Bióloga Bárbara Sales, que criou um projeto de fabricação de porta copos a partir das bitucas de cigarro para o seu TCC, e agora têm a sua pesquisa em processo de análise para aprimoramento, e quem sabe, para uma possível comercialização do produto.

Para aprimorar os conhecimentos e se tornar ainda mais consciente:

O site eCycle é um ótimo local para ler mais textos sobre o assunto e se tornar consciente não só da causa das bitucas de cigarro como também de tantas outras que assombram o meio-ambiente. A página possui informações sobre como efetuar o descarte correto e  como reciclar, além de vários textos com dados oficiais para te ajudar estar sempre atualizado sobre a redução ou aumento dos impactos ambientais.


Já o site Impacto Ambiental traz informações sobre vários aspectos do meio-ambiente, ecossistema e sustentabilidade. Os textos vão desde notícias sobre multas e crimes ambientais até matérias sobre as possíveis questões sobre sustentabilidade que irão cair no vestibular.

Site: http://www.impactounesp.com.br/

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