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Zaffari é condenado por abordagem a jovens negros motivada pela "cor da pele"

Divulgação
A Companhia Zaffari foi condenada a pagar R$ 60 mil para três jovens negros por danos morais por uma abordagem ocorrida em 2013. A juíza Karla Aveline de Oliveira, da Vara Cível do Foro Regional da Tristeza, na zona sul de Porto Alegre, entendeu que os seguranças trataram os jovens como "suspeitos de furto, sem qualquer amparo fático a não ser a cor da pele". Também foi determinado pagamento de multa no valor de 10 salários mínimos (R$ 9,5 mil, em valores de hoje) por má-fé. 
No boletim de ocorrência, os garotos registraram que, após a revista, ficou evidenciado que não houve furto. Além disso, os jovens — na época, adolescentes de 14 e 15 anos — apresentaram as notas fiscais do que haviam comprado.  
De acordo com a magistrada, a abordagem foi desmotivada, abusiva e truculenta e resultou em abalo moral e psíquico. 
"Foi em horário de pico, em estabelecimento muito próximo à escola onde estudavam, frequentado por colegas, amigos e pais de colegas, de modo que foram expostos, a não ser pelo fato de serem negros, à situação vexatória, humilhante e violenta." 
Em sua defesa, inicialmente, a empresa sustentou que a história se tratava de "uma aventura jurídica com o intuito de auferir lucro". Depois, o Zaffari confirmou a abordagem. 
Além da indenização, a juíza estipulou uma multa por má-fé, em razão da conduta da empresa em omitir, por dois anos, o DVD com imagens da abordagem e depois mudar a versão dos fatos. À decisão, de primeira instância, cabe recurso.  A empresa afirma que "está dando encaminhamento aos trâmites finais do processo". 
Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o Zaffari lamenta o fato e garante que teve suas práticas aprimoradas. Leia o texto na íntegra: 
"A empresa lamenta o referido fato ocorrido no ano de 2013, e considera o evento uma exceção à regra de seus procedimentos representativos. Reforça ainda que refuta veementemente atos de preconceito de qualquer natureza. 
Desde o caso, foram aprimoradas as práticas e treinamentos de abordagem nas lojas, tendo sempre em mente os princípios que construíram a história da empresa junto às comunidades onde atua há 83 anos"

Fonte: GZH