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Insatisfação pós-greve: possível cenário nas urnas após protestos

Corrupção, serviços públicos de má qualidade, alta nos preços dos combustíveis: como a greve dos caminhoneiros pode surtir efeito nas eleições em outubro


Divulgação / CUT


Por Victória Ribeiro


A greve dos caminhoneiros ocorrida entre os dias 21 a 28 de maio enfatizou a atual crise econômica e social, sofrida no país. Segundo pesquisas do DataFolha, divulgadas na última quarta-feira (30), 87% dos brasileiros apoiaram as manifestações, sendo que 10% foram contra, 2% disseram ser indiferentes, e 1% não souberam opinar. Essa popularidade ao movimento deve se ao fato de que a figura do caminhoneiro foi vista como reflexo dos brasileiros em relação à insatisfação popular política, derivadas das manifestações de junho de 2013, Operação Lava Jato, Impeachement da ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016, a posse de Michel Temer, que no ano seguinte, viria a ser denunciado criminalmente, e recentemente, a prisão do ex-presidente Lula.

Antes mesmo das paralisações acontecerem, o percentual de pessoas que afirmavam que iriam votar em Brancos e Nulos para presidente, já demonstravam certa relevância, segundo dados encomendados pela CNT (Confederação Nacional de Transportes) ao instituto MDA, conforme gráficos abaixo:


*Esse primeiro gráfico, inclui o ex-presidente e atual candidato do PT, Lula, condenado e que pode ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.


*O segundo gráfico, exclui das pesquisas o petista.


Percebe-se, com ênfase no segundo gráfico, que o número de pessoas que optaram nas pesquisas por Brancos e Nulos, são maiores que o candidato em primeiro lugar, Jair Bolsonaro, com 18,3% de intenção de votos. Para o diretor do Instituto DataFolha, Mauro Paulino, em entrevista ao jornal Él País, atualmente, quando fazemos pesquisa para intenção de voto para a presidência da República, encontramos taxas recordes de brancos e nulos, além de um número grande de eleitores sem candidato. É um reflexo do momento que o país atravessa, há um desalento e desesperança do eleitor muito forte.”

Já para Andreia Freitas, professora de ciências política na Unicamp, uma parte do eleitorado que escolheu abster-se do voto, são aqueles que irão destiná-los a Lula, e diante de um cenário onde essa possibilidade se torne inexistente, não se sintam representados por mais ninguém. Talvez, segundo ela, esse percentual de pessoas possa votar em outros candidatos, conforme a propaganda política ganhe forma e destaque até outubro, mas para onde esses votos serão destinados, essa é a grande incógnita dessas eleições.

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