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Quatro em cada cinco mulheres já fizeram uso da pílula do dia seguinte, segundo pesquisa

Pesquisa realizada com grupo de 180 mulheres mostra resultados alarmantes com relação aos riscos da utilização da pílula

Imagem de contraceptivos - Blog da Saúde - Ministério da Saúde 

Por Júlia Sanchez


A Pílula do Dia Seguinte, conhecida com a sigla PDS, é muito famosa por ser uma das últimas e mais eficazes opções contraceptivas para as mulheres principalmente após uma relação sexual desprotegida ou com falha do método utilizado. Uma pesquisa sobre a utilização da PDS que contou com a colaboração de 180 mulheres a partir dos 15 anos de idade mostrou que mais de 80% dessas mulheres já tomaram a pílula ao menos uma vez na vida, sendo que 30% delas já fizeram o uso do medicamento quatro ou mais vezes em um curto intervalo de tempo, fato que pode causar sérios danos à saúde. 

O principal motivo apontado para a utilização da pílula foi a falta do uso de preservativo, que levou 49% das respostas, seguido do simples receio do método contraceptivo não ter funcionado, tendo esse 20% dos votos. O rompimento da camisinha e o esquecimento de tomar o anticoncepcional também foram apontados como a razão para o consumo do medicamento. 

A grande questão levantada através da análise das respostas é que 57% dessas mulheres não sabe dos riscos da ingestão da pílula ou sabe mas não está ciente de todos eles, resultado que pode gerar grande preocupação devido à quantidade de efeitos colaterais que a ingestão dos vários hormônios existentes na pílula pode suceder. Conhecer todos os pontos negativos deste grande aliado dos casais desprevenidos pode precaver danos sérios à saúde. 




Como funciona


Para entender todos os riscos que a pílula do dia seguinte pode causar à saúde da mulher é necessário primeiro entender como ela funciona em seu organismo. Como muitos já sabem, a PDS foi criada para ser tomada após uma relação sexual de risco onde a gravidez é indesejada, e ela pode ser encontrada em forma de um ou dois comprimidos, sendo que esse último precisa ser ingerido em um intervalo de doze horas. 

Quando absorvida pelo corpo da mulher, a pílula funciona de três maneiras: impede que o óvulo seja liberado pelo útero, reduz a movimentação das tubas uterinas impedindo o transporte do óvulo e descama a parede o útero para que o óvulo fecundado não se implante, e por conta dessa última ação geralmente a mulher sofre antecipação de sua menstruação.

O mito sobre esse medicamento é que na verdade ele não deve ser tomado apenas no dia seguinte ao ato sexual, e sim o quanto antes a mulher puder ingerir, pois deste modo ela terá maiores chances de não engravidar, as quais vão diminuindo a cada dia que passa após a relação tendo um total de zero eficácia ao completar o quinto dia. 


Efeitos colaterais


Dentre os efeitos colaterais mais conhecidos está o atraso ou precipitação da menstruação, que varia conforme a reação do organismo da mulher ao medicamento, a anulação da menstruação por alguns ciclos ou até mesmo hemorragia, no pior dos casos. Náuseas, dores de cabeça e vômito são bastante conhecidos também devido a sua maior frequência, e essa é uma informação que não se pode deixar passar pois se a mulher vomitar nas primeiras duas horas após o uso do remédio ela deverá tomá-lo novamente já que ele ainda não terá agido corretamente. 

O grande problema da pílula do dia seguinte é que ela carrega consigo uma quantidade exacerbada de hormônios, que equivale a metade de uma cartela de anticoncepcionais ingerida de uma só vez. Devido a isso, a recomendação é de que o remédio seja manuseado no máximo uma vez por ano, e mesmo assim há médicos e farmacêuticos que dizem que deve ser tomado apenas uma vez na vida. 

Segundo a pesquisa, 57% das mulheres tomaram a pílula mais de uma vez no ano, dentre elas a maioria sofreu com algum efeito colateral sendo esses alteração no ciclo menstrual, alteração no humor, dores e até hemorragia. Felizmente no grupo consultado não houve nenhum caso de trombose, mas a sugestão dada por médicos é que mulheres com problemas de circulação não façam o uso do método, pois podem estar sujeitas a riscos de coagulação do sangue. 



Como evitar o uso demasiado da pílula


Como visto nos resultados da pesquisa realizada, muitas mulheres sentem a necessidade da utilização da pílula mais de uma vez em um curto período de tempo, aumentando assim a sua possível ineficácia e, além dos riscos à sua saúde, pode colocar em risco também a vida do bebê gerado, em casos da demora do consumo do medicamento, causando uma gravidez ectópica. 

Por mais que pareçam óbvios, alguns métodos contraceptivos ainda são um bicho de sete cabeças para algumas mulheres, que sentem medo de engordar ou desenvolver trombose ao fazer uso do anticoncepcional, não tem condições financeiras de usar o DIU e acham que a camisinha por si só não dá total segurança. Porém, conhecer um pouco mais sobre esses métodos pode fazer com que tanto a mulher quanto o homem repensem os seus hábitos na hora de iniciar uma relação sexual. 

Algumas mulheres atualmente vem apresentando resistência ao uso do anticoncepcional, alegando não querer se submeter a grande quantidade de hormônios presentes do medicamento que podem causar diversos problemas ao seu corpo e também não querer correr o risco de esquecer de tomá-la todos os dias. Pensando nisso e já passando da hora, cientistas norte americanos estão desenvolvendo uma pílula anticoncepcional masculina, que está sendo estudada para ter a menor quantidade de efeitos colaterais o possível, e no melhor dos resultados nenhuma contraindicação. Maiores informações sobre esse estudo podem ser conferidas no texto http://www.agenciapoa.com.br/2018/04/pilula-anticoncepcional-masculina-obtem.html.

No que diz respeito ao esquecimento de tomar a pílula, algumas opções como a injeção mensal do medicamento em farmácias ou aplicativos que indicam os períodos da menstruação que possuem um alarme indicando a hora de tomar o anticoncepcional podem ser soluções acessíveis às que sofrem desse problema. 

Um aplicativo recomendado por usuários é o Meu Ciclo, desenvolvido pelo site E + Feminina e oferecido pela empresa farmacêutica Medley. No App as mulheres têm a opção de adicionar as informações sobre a sua cartela e ser avisada sobre os dias e o horário certo de fazer a ingestão do remédio, o que pode aumentar a sua eficácia. O App é gratuito e está disponível para Android e IOS. 

Confiar mais na camisinha também é uma alternativa para quem toma a PDS mesmo após uma relação protegida, já que segundo a pesquisa 26,7% das mulheres haviam utilizado preservativo quando tomaram o medicamento e 20,3% delas o tomaram apenas por receio do método contraceptivo não funcionar. 

O preservativo, se utilizado corretamente, tem 99% de chance de proteção total contra doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. Dentro do modo certo de utilizá-lo, dicas como não usar os dentes ou objetos pontiagudos para abrir a sua embalagem, não permitir que o mesmo tenha contato com a água e não usar lubrificantes à base de petróleo são fundamentais para uma relação segura. 

Outros métodos como DIU, injetáveis, adesivos e anéis vaginais também possuem alto índice de proteção, porém devido ao seu alto custo não podem ser adquiridos por todas as mulheres e por isso nem sempre são os mais utilizados.

3 comentários:

  1. É bem triste saber que tantas mulheres fazem uso da PDS várias vezes ao ano. Achei muito importante você ressaltar os riscos que nós mulheres corremos fazendo uso desse método. Esse assunto precisa ser discutido mais. Parabéns pelo conteúdo, Júlia!

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    1. Pois é Larissa, e por esse motivo devemos sempre falar sobre o assunto! Obrigada!

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